
Raízen, uma das maiores empresas do setor de energia e açúcar do mundo, anunciou um pedido de recuperação extrajudicial que pode chegar a R$ 68 bilhões, considerado por analistas como um dos maiores processos de renegociação de dívidas da história empresarial brasileira.
A empresa é resultado de uma joint venture entre a Cosan e a multinacional Shell. Juntas, as companhias criaram um gigante que atua em diversas frentes: produção de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis.
Para se ter uma ideia do tamanho da situação, recentemente o grupo Grupo Pão de Açúcar também anunciou uma recuperação extrajudicial, mas envolvendo cerca de R$ 4,5 bilhões — valor muito inferior ao montante ligado à Raízen.
Uma empresa presente no dia a dia dos brasileiros
A Raízen é considerada um dos maiores grupos do agronegócio e energia do planeta. Entre seus principais números estão:
• Maior processadora de cana-de-açúcar do mundo
• Uma das maiores produtoras globais de açúcar
• Uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil
• Forte presença em etanol, bioenergia e postos de combustíveis
Ou seja, mesmo que muitos brasileiros não percebam, a empresa está presente diariamente na economia do país, seja no combustível abastecido nos carros ou em produtos derivados da cana.
Dívidas bilionárias e resultados negativos
Segundo informações divulgadas ao mercado, a companhia enfrenta dificuldades após resultados financeiros negativos nos últimos anos.
No terceiro trimestre do último ano, a empresa teria registrado prejuízo de aproximadamente R$ 15 bilhões, agravando ainda mais a situação financeira.
Além disso, o desempenho das ações também despencou:
• No auge, papéis chegaram perto de R$ 7
• Atualmente, são negociados por centavos
• O valor de mercado, que no IPO chegou a cerca de R$ 76 bilhões, hoje estaria abaixo de R$ 700 milhões
Isso representa uma queda superior a 99% no valor da companhia, segundo estimativas de mercado.
Suspensão de pagamentos por 90 dias
Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen pretende renegociar suas dívidas com credores.
Na prática, isso significa que a empresa pede um período de reorganização financeira. Durante 90 dias, a companhia poderá suspender temporariamente pagamentos de juros e parte do principal da dívida enquanto negocia novos termos.
Sócios prometem aporte bilionário
Para tentar reestruturar o negócio, os acionistas anunciaram novos aportes de capital.
• A Shell sinalizou injeção de cerca de R$ 3,5 bilhões
• Controladores ligados à Cosan indicaram aporte adicional de R$ 500 milhões
Mesmo assim, analistas destacam que o valor é pequeno diante da dívida total, que gira na casa de dezenas de bilhões de reais.
Preocupação no mercado
O caso levanta preocupação entre investidores e analistas, principalmente pelo tamanho da empresa e sua importância no setor energético e no agronegócio brasileiro.
Especialistas afirmam que o sucesso da renegociação será fundamental para evitar impactos maiores na cadeia produtiva e no mercado financeiro.