A trincheira era uma reivindicação antiga da população e estava prevista no contrato da concessionária EPR, porém somente para o sexto ano da concessão. Diante da urgência da demanda, a Prefeitura de Cascavel decidiu assumir a execução da obra, antecipando uma solução aguardada há mais de 30 anos.
O prefeito Renato Silva destacou que a obra é resultado de diálogo e articulação para que o projeto pudesse sair do papel antes do prazo previsto no contrato da concessionária.
“Estamos felizes porque essa é uma conquista importante para Cascavel. A trincheira estava prevista no contrato da concessionária apenas para o sexto ano da concessão, mas fizemos dessa demanda uma prioridade da gestão. Com diálogo e muito trabalho, conseguimos construir um entendimento para antecipar a obra. Hoje iniciamos uma intervenção aguardada há mais de 30 anos, que vai salvar vidas, melhorar a mobilidade e impulsionar o desenvolvimento da região Sul”, afirmou.
A obra será executada pela Construbes Engenharia, contratada pela Prefeitura de Cascavel, com investimento de R$ 21,15 milhões e prazo de execução de 18 meses (540 dias). O projeto foi desenvolvido pelo Instituto de Planejamento de Cascavel (IPC).
O secretário da Casa Civil, Carlos Xavier, classificou o início dos trabalhos como um momento histórico para a cidade.
“Estamos solucionando um grave gargalo de mobilidade urbana. Centenas de pessoas atravessam a BR-277 diariamente, enfrentando dificuldades e riscos. É um marco para Cascavel e para toda a região Sul”, declarou.
O projeto prevê a construção de um viaduto sobre a BR-277, ligando a Rua Munique à Avenida Waldemar Casagrande, além de novas alças de acesso à rodovia, duplicação do trecho da BR-277, implantação de iluminação e melhorias que proporcionarão mais segurança para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Obra esperada por mais de três décadas
Para os moradores da região, o início da construção representa o fim de uma espera que atravessou gerações.
O presidente da Associação de Moradores do Bairro Cascavel Velho, Walmir Severgnini, lembrou que a comunidade aguardava a obra há décadas.
“Muito feliz. A comunidade esperou por isso durante muitos anos. Tivemos uma reunião com o atual prefeito, que prometeu que essa obra aconteceria. Ficamos apreensivos, mas hoje estamos vendo essa realidade.”
Segundo ele, além da melhoria na mobilidade, a trincheira também fortalecerá o desenvolvimento econômico da região.
“Muitas empresas enfrentam dificuldades para fazer entregas por causa da necessidade de grandes desvios. Também teremos mais segurança e facilidade de acesso ao Lago Municipal. Agora é ter um pouco de paciência. Quem esperou mais de 30 anos pode esperar mais 18 meses para usar essa obra com segurança.”
Trabalho técnico durou dois anos
O presidente do IPC, Vinícius Boza, destacou que foram necessários cerca de dois anos entre estudos, elaboração e aprovação do projeto para que a obra pudesse ser iniciada.
“Hoje damos o pontapé inicial de uma obra extremamente importante para quem mora na região Sul. O IPC participou de todo esse processo e segue presente nas grandes obras que transformam Cascavel.”
O secretário de Serviços e Obras Públicas, Severino Folador, ressaltou que mais de 65 mil moradores serão beneficiados diretamente pela intervenção.
“Estamos dando o primeiro passo de uma obra que vai garantir uma transposição segura entre a região Sul e o Centro da cidade. A expectativa é que a empresa cumpra o prazo previsto de 540 dias.”
Mudanças no trânsito
Com o avanço das obras, alterações no trânsito já começaram. A Rua Munique e a Avenida Waldemar Casagrande foram interditadas, exigindo rotas alternativas para os moradores da região.
Segundo o presidente da Transitar, Edson Zorek, a partir de 6 de agosto uma das pistas da BR-277 será interditada, com o tráfego desviado para a via marginal no sentido Foz do Iguaçu–Curitiba. Já em 20 de agosto, novas mudanças operacionais serão implantadas conforme o andamento da obra.
A Transitar informou que reforçou toda a sinalização do trecho, disponibilizará agentes para orientar os motoristas e atualizou as rotas no aplicativo Waze.
Editorial
O início da obra representa uma vitória da população de Cascavel, que durante décadas cobrou uma solução para um dos pontos mais perigosos da BR-277.
Também reacende uma discussão importante: por que obras consideradas essenciais para a segurança da população precisam aguardar tantos anos para serem executadas pelas concessionárias de pedágio?
Embora a EPR tenha um cronograma contratual que previa essa intervenção apenas no sexto ano da concessão, fica evidente que a necessidade da obra era imediata. A iniciativa da Prefeitura de antecipar o projeto permitiu que a cidade não precisasse esperar ainda mais tempo para resolver um problema histórico.
Para milhares de moradores da região Sul, o mais importante é que, finalmente, a obra deixou de ser promessa e começou a se transformar em realidade.


