A presença do deputado federal Sandro Alex em Cascavel tem despertado críticas e relembrado uma das maiores disputas políticas envolvendo investimentos em infraestrutura no Paraná: a construção do Novo Trevo Cataratas.
Nos bastidores da época, lideranças do Oeste relatavam que havia forte pressão para que parte significativa dos recursos estaduais fosse direcionada à região de Guarapuava, reduto político de importantes aliados do então secretário de Infraestrutura, Sandro Alex. Enquanto isso, Cascavel lutava para garantir prioridade para uma obra considerada vital para a economia e a segurança viária da região.
A mobilização de prefeitos, vereadores, entidades empresariais, representantes do agronegócio e lideranças locais foi decisiva para que o projeto não perdesse espaço dentro do planejamento estadual. Para muitos, se Cascavel não tivesse se unido em defesa da obra, o Trevo Cataratas poderia ter sido adiado mais uma vez.
Agora, anos depois e com a aproximação do período eleitoral, a presença de Sandro Alex na cidade tem gerado questionamentos. Afinal, onde estavam aqueles que, segundo relatos políticos da época, priorizavam investimentos para outras regiões quando Cascavel precisava lutar por uma das obras mais importantes de sua história?
O Novo Trevo Cataratas tornou-se realidade graças à insistência e à mobilização das lideranças do Oeste. Por isso, parte da população vê com desconfiança a movimentação de políticos que hoje buscam apoio em Cascavel, mas que, segundo os bastidores políticos daquele período, não colocavam a obra entre suas prioridades.
A memória política é curta para alguns, mas os cascavelenses não esquecem quem esteve ao lado da cidade quando a luta pelos recursos era necessária.
“Quem foi contra agora quer ser o pai da criança”, diz Mário de Sá sobre o Trevo Cataratas 
Um dos defensores históricos da construção do Novo Trevo Cataratas, o agrônomo Mário de Sá falou ao Política News Cascavel sobre os bastidores da luta que garantiu uma das maiores obras de infraestrutura da história do Oeste do Paraná.
Segundo Mário, a conquista não aconteceu por acaso. Ele relembra que foram anos de mobilização, reuniões e articulações envolvendo lideranças locais, entidades representativas e membros da sociedade civil para convencer o Governo do Estado da necessidade urgente da obra.
“Lutamos muito pelo Trevo Cataratas. Reunimos várias lideranças locais, promovemos encontros, discutimos alternativas e mostramos a importância dessa obra para Cascavel e toda a região Oeste. Não foi uma conquista individual, foi uma luta coletiva”, afirmou.
Mário de Sá também fez críticas ao que considera uma tentativa de reescrever a história por parte de algumas lideranças políticas.
“Hoje vemos pessoas que, nos bastidores, não defendiam a obra ou tinham outras prioridades, querendo aparecer como responsáveis pelo projeto. Tem gente querendo ser o pai da criança depois que ela nasceu. Mas quem participou da luta sabe exatamente quem esteve ao lado de Cascavel e quem não esteve”, declarou.
Para o agrônomo, o momento agora exige uma nova mobilização regional. Segundo ele, a batalha atual não é mais pela construção do Trevo Cataratas, mas contra os altos valores cobrados nas novas praças de pedágio instaladas no Paraná.
“Mais do que nunca precisamos unir forças novamente. A obra está pronta, mas agora enfrentamos outro desafio: os preços abusivos dos pedágios. O Oeste do Paraná precisa se mobilizar para defender os produtores, os trabalhadores, os transportadores e toda a população que depende das rodovias diariamente”, destacou.
Mário de Sá defende que as lideranças regionais deixem as disputas políticas de lado e atuem em conjunto para cobrar tarifas mais justas e transparência nas concessões rodoviárias.
“O Trevo Cataratas mostrou que quando Cascavel se une, consegue resultados. Agora precisamos dessa mesma união para enfrentar a questão dos pedágios e defender quem trabalha e produz nesta região”, concluiu.

