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de 2026, a China passou a limitar a carne bovina brasileira a uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas com tarifa reduzida. Acima desse volume, aplica uma sobretaxa de 55% sobre as importações, medida de salvaguarda que vale por três anos e atinge diretamente o maior fornecedor do mercado chinês.
O Brasil exporta cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina por ano para a China, o que significa que uma fatia relevante desse volume fica fora da cota e entra com imposto muito mais alto, reduzindo a competitividade do produto brasileiro. Em maio, o próprio governo chinês informou que o Brasil já havia preenchido aproximadamente 50% da cota de 2026, e entidades do setor projetam que o limite pode ser esgotado ainda no meio do ano.
Apesar do potencial de queda de até 10% nas exportações de carne bovina em 2026 e do risco de interrupção de embarques para a China no segundo semestre, o discurso oficial em Brasília tem sido o de que a situação “não é tão preocupante” e pode ser administrada via negociação de cotas e abertura de novos mercados. Enquanto a comunicação do governo enfatiza tratativas técnicas e futuras, a realidade imediata é que a carne que estoura o teto paga 55% a mais de tarifa.
Nos bastidores, o governo Lula negocia com Pequim para tentar aumentar o volume isento a partir de 2027 e flexibilizar a aplicação das salvaguardas, mas, por ora, não houve mudança concreta na regra: continua valendo a cota de 1,106 milhão de toneladas com tarifa menor e a sobretaxa de 55% no excedente. Enquanto isso, frigoríficos e pecuaristas alertam para a pressão sobre margens de lucro e para a dificuldade de realocar, no curto prazo, a carne que hoje depende do mercado chinês.
Para o consumidor e para a economia em geral, o recado é direto: o principal destino da carne bovina brasileira está mais caro e mais restrito para os produtores do país, o que tende a reduzir a entrada de dólares do agro, afetar emprego no campo e na indústria e, mais à frente, influenciar o equilíbrio entre exportações e oferta interna de carne no Brasil.
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