O presidente Licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, recebeu nesta terça-feira o empresário, agrônomo e radialista Mário de Sá em um encontro intermediado pelo Política News Cascavel. A reunião teve como foco o presente e o futuro das concessões rodoviárias no Paraná, um dos temas mais estratégicos para a economia e a logística do Estado.
Mário de Sá teve participação ativa durante a discussão do novo modelo de pedágio no Paraná. Ao longo dos debates, participou de diversas audiências públicas realizadas em várias regiões do Estado, inclusive na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), defendendo tarifas mais justas, obras obrigatórias e maior transparência nos contratos. Na imagem da esquerda para direita, Alessio de Oliveira, Édson Vasconcélos, Mário de Sá e Juarez Berte.
Já Edson Vasconcelos, à frente da Fiep, vem conduzindo uma atuação voltada ao acompanhamento técnico da execução das novas concessões. Sob sua liderança, o Sistema Fiep lançou o Observatório dos Pedágios, uma plataforma de transparência criada para permitir que empresários e toda a sociedade acompanhem o cumprimento dos contratos, o andamento das obras e a aplicação dos investimentos previstos nos novos lotes de concessão.
Durante a conversa, Vasconcelos voltou a defender um modelo que considera mais justo para os usuários das rodovias: o sistema “Pay Per Use” (Pague pelo Uso).
Pela proposta, o motorista pagaria apenas pelo trecho efetivamente percorrido, evitando que usuários de pequenos deslocamentos arquem com o valor integral de uma praça de pedágio.
Oeste do Paraná concentra um dos principais debates
A discussão é especialmente relevante para o Oeste do Estado.
Atualmente, a BR-467, entre Cascavel e Toledo, já é totalmente duplicada. Já a BR-163, entre Marechal Cândido Rondon e Guaíra, passa por obras de duplicação e restauração profunda do pavimento.
Hoje existe uma praça de pedágio em funcionamento no município de Mercedes, localizada na BR-163. Porém, com a implantação do Lote 5 das concessões, também está prevista a construção de uma nova praça de pedágio na BR-467, na altura de Toledo, além de outra praça na BR-163, em Terra Roxa.
Na avaliação debatida durante o encontro, um sistema de cobrança proporcional poderia reduzir o impacto para moradores, trabalhadores e produtores rurais que utilizam diariamente pequenos trechos das rodovias.
Mais de R$ 10 bilhões em investimentos
O Grupo Pátria, por meio da empresa Reune Rodovias Holding II S.A., venceu a concessão do Lote 5 ao oferecer 23,83% de desconto sobre a tarifa básica de pedágio, superando a proposta apresentada pela Way Concessões.
O contrato terá validade de 30 anos e prevê investimentos superiores a R$ 10 bilhões.
Entre as principais obras previstas estão:
* 61,6 quilômetros de duplicação da BR-369 entre Campo Mourão e Mamborê;
* 109,2 quilômetros de duplicação da BR-369 entre Mamborê e Cascavel;
* 58,2 quilômetros de duplicação da BR-163 entre Marechal Cândido Rondon e Guaíra, incluindo o Contorno de Guaíra;
* quase 20 quilômetros de vias marginais;
* construção de 55 viadutos e pontes;
* cinco passarelas;
* 12 quilômetros de ciclovias;
* além de novos contornos rodoviários.
Ao final das obras, o Lote 5 contará com cinco praças de pedágio, sendo três já existentes e duas novas.
Fiscalização como prioridade
Durante o encontro, Edson Vasconcelos ressaltou que a preocupação da Fiep não se limita ao valor das tarifas, mas também ao cumprimento rigoroso dos contratos.
Por isso, a entidade criou o Observatório dos Pedágios, ferramenta que busca dar transparência à execução das obras, permitindo que a sociedade acompanhe os cronogramas, investimentos e obrigações assumidas pelas concessionárias.
A reunião também reforçou a importância do diálogo entre representantes do setor produtivo e lideranças que acompanharam de perto a construção do novo modelo de concessões, sempre com o objetivo de garantir rodovias mais seguras, infraestrutura moderna e um sistema de cobrança que seja equilibrado para quem utiliza as estradas diariamente.
Durante a conversa, Mário de Sá também defendeu uma atuação firme dos órgãos de fiscalização sobre as concessionárias. Segundo ele, é fundamental que haja rigor no acompanhamento da execução das obras previstas em contrato e transparência na aplicação dos recursos arrecadados pelo Estado. Mário ainda defendeu que esses recursos sejam utilizados para contribuir com a redução das tarifas, especialmente no Oeste do Paraná, onde, segundo ele, os valores previstos no novo modelo ficaram superiores aos praticados no contrato anterior em alguns trechos.
Em resposta, Edson Vasconcelos afirmou que a fiscalização dos contratos será uma prioridade. Segundo ele, caso a chapa liderada por Sergio Moro, da qual é apontado como pré-candidato a vice-governador, seja eleita em 2026, haverá cobrança permanente para que todas as obrigações contratuais sejam cumpridas integralmente, sem concessão de isenções ou flexibilizações que prejudiquem os investimentos previstos nas rodovias paranaenses.
O encontro acontece em um momento de projeção política de Edson Vasconcelos como pré-candidato a vice-governador em uma chapa liderada pelo senador Sergio Moro para as eleições de 2026. Caso a candidatura se confirme, temas como infraestrutura, logística e desenvolvimento econômico tendem a ocupar espaço central no debate político paranaense.

