A troca de comando na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) movimenta os bastidores de Brasília e pode ter impactos diretos nos desdobramentos do Caso Master, que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao antigo Banco Master.
A partir da próxima semana, o ministro Luiz Fux assumirá a presidência da Segunda Turma. A mudança ocorre em um momento delicado, quando diversos recursos e processos relacionados à Operação Compliance Zero ainda aguardam análise do colegiado. Segundo avaliações de juristas e interlocutores que acompanham o caso, a nova condução pode resultar em maior celeridade na apreciação dos processos.
Nos últimos meses, Fux tem adotado posições consideradas mais rigorosas em relação aos investigados. Em março, acompanhou o voto do ministro André Mendonça pela manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Posteriormente, também votou pela manutenção das prisões do pai e do primo do banqueiro, reforçando um entendimento mais duro dentro da Turma.
A situação de Vorcaro se tornou ainda mais delicada após o afastamento do ministro Dias Toffoli dos julgamentos relacionados ao caso. Toffoli declarou-se suspeito para atuar nos processos envolvendo o Banco Master, deixando a composição da Turma reduzida e ampliando o peso dos votos de Fux, André Mendonça, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
Nos bastidores do meio jurídico, a expectativa é que a presidência de Fux possa acelerar a análise de recursos pendentes e reduzir a possibilidade de adiamentos prolongados. Embora a presidência da Turma não altere o mérito dos processos, o presidente possui influência na organização da pauta e no ritmo dos julgamentos.
O Caso Master tornou-se um dos maiores escândalos financeiros investigados no país nos últimos anos. As apurações da Polícia Federal apontam suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de Justiça. Diversos desdobramentos da Operação Compliance Zero seguem em andamento e novas fases da investigação não estão descartadas.

