Seis anos após a privatização da Copel, realizada durante o governo Ratinho Junior, os paranaenses passam a conviver com um novo reajuste na tarifa de energia elétrica. A Aneel aprovou um aumento médio de 20%, reacendendo as críticas de que a venda da companhia trouxe mais benefícios aos acionistas do que aos consumidores.
A partir desta quarta-feira (24), milhões de consumidores atendidos pela Copel passaram a pagar mais pela energia elétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um reajuste de 20% para consumidores residenciais, além de aumentos médios de 19,85% para baixa tensão e 21,87% para alta tensão.
A privatização da Copel, considerada uma das principais marcas do governo Ratinho Junior, voltou ao centro do debate político. Para críticos da medida, a promessa de maior eficiência e benefícios aos consumidores não se refletiu na redução das tarifas. Pelo contrário, o novo reajuste reforça a percepção de que a população tem arcado com uma conta cada vez mais alta.
A Copel atribui boa parte do aumento aos encargos do setor elétrico, especialmente aos subsídios da geração distribuída por energia solar, que representam cerca de 16% da composição tarifária. A empresa também afirma que apenas cerca de 20% do valor pago pelos consumidores permanece com a distribuidora, enquanto o restante é destinado à compra de energia, transmissão, tributos e encargos definidos pelo sistema elétrico nacional.
Mesmo com essa justificativa, o reajuste volta a alimentar críticas de opositores ao governo estadual, que questionam os resultados da privatização para os consumidores paranaenses. Para esse grupo, uma empresa que durante décadas teve perfil público passou a priorizar o retorno aos investidores, enquanto as famílias enfrentam aumentos sucessivos nas contas de energia.
Apesar da alta, a Copel sustenta que a tarifa do Paraná continua entre as mais competitivas do país e que os reajustes seguem critérios técnicos definidos pela Aneel.
Independentemente das justificativas, o efeito prático será sentido diretamente no bolso dos paranaenses, que terão de absorver um aumento expressivo nas próximas faturas de energia elétrica.

