Ontem, Cascavel viveu um momento histórico. O presidente da Câmara de Vereadores, Tiago Almeida, assumiu interinamente a Prefeitura por 15 dias, em razão das férias do prefeito Renato Silva e da impossibilidade de o vice-prefeito assumir o cargo.
Para muitos cascavelenses, não era apenas uma cerimônia de transmissão de cargo. Era a realização de um sonho.
Era a história do menino pedreiro. Do menino garçom. De alguém que conheceu o trabalho duro, venceu obstáculos e, com dedicação e perseverança, chegou ao posto mais importante do Executivo Municipal, ainda que temporariamente. Uma trajetória que inspira qualquer cidadão.
O protagonista daquele dia tinha nome e sobrenome: Tiago Almeida.
O salão comunitário estava lotado. Familiares, amigos, apoiadores e centenas de pessoas fizeram questão de prestigiar esse capítulo marcante de sua vida pública. O ambiente era de emoção e reconhecimento.
Entretanto, o que deveria ser um momento dedicado quase exclusivamente ao prefeito interino acabou, na percepção de muitos presentes, perdendo parte do seu brilho.
Este que vos escreve ouviu comentários de pessoas que acompanhavam a solenidade lamentando que o foco da cerimônia parecesse dividido entre diversas figuras políticas. Para esses presentes, o dia deveria ter sido integralmente dedicado a Tiago Almeida e à sua trajetória.
É claro que autoridades são bem-vindas em um ato institucional. Faz parte da vida pública. Mas existe uma diferença entre prestigiar um momento histórico e disputar espaço em um momento que pertence a outra pessoa.
Quem deu um exemplo de elegância foi o prefeito Renato Silva. Mesmo iniciando seu período de férias, fez questão de participar da solenidade ao lado da esposa, dona Odina. Coincidentemente, naquele mesmo dia o casal comemorava 54 anos de casamento. Ainda assim, ambos estiveram presentes para prestigiar Tiago Almeida, demonstrando respeito ao momento e contribuindo para abrilhantar a cerimônia, sem tentar roubar o protagonismo de quem vivia um dos dias mais importantes de sua vida.
Infelizmente, essa mesma postura, na visão de muitos presentes, não foi seguida por todos.
Na política, existe um velho ditado: há quem seja convidado para a festa e há quem queira ser o primeiro a cortar o bolo, mesmo quando a comemoração não é sua.
A posse de Tiago Almeida não precisava de protagonistas paralelos. Sua história já era suficiente para emocionar e inspirar.
Independentemente de posições políticas, todos deveriam reconhecer o simbolismo daquele momento. O menino pedreiro e o menino garçom chegaram ao gabinete do prefeito por mérito próprio.
Tiago Almeida e todos aqueles que foram até lá para aplaudi-lo mereciam sair da cerimônia falando apenas dele.
Porque, no fim das contas, o aniversário era dele. O bolo era dele. E o primeiro pedaço também deveria ser dele.

