Menos de três anos após a privatização da Copel, a companhia já distribuiu cerca de R$ 5,87 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas. O montante é aproximadamente 89,5% superior aos R$ 3,1 bilhões arrecadados pelo Governo do Paraná com a venda do controle da empresa.
Os números voltam a alimentar críticas à decisão do governador Ratinho Junior, que conduziu a privatização da Copel sob o argumento de que a medida traria mais eficiência, investimentos e melhorias na prestação do serviço.
Na prática, porém, consumidores e produtores rurais têm reclamado de sucessivos problemas no fornecimento de energia, aumento das tarifas e dificuldades no atendimento. Em junho, a conta de luz sofreu reajuste superior a 20%, ampliando a insatisfação de famílias, empresários e do setor produtivo.
Além das tarifas mais altas, indicadores divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) colocaram a Copel entre as piores concessionárias de grande porte do país em frequência e duração das interrupções no fornecimento de energia.
A privatização também é alvo de críticas pela velocidade com que foi aprovada. O projeto foi encaminhado pelo governo à Assembleia Legislativa em novembro de 2022, em regime de urgência, e aprovado poucos dias depois, permitindo a venda do controle acionário da empresa.
Para críticos da operação, os resultados demonstram que os maiores beneficiados foram os investidores privados, enquanto a população paranaense passou a enfrentar tarifas mais elevadas, piora na qualidade dos serviços e a perda do controle estatal sobre uma das empresas mais estratégicas do Paraná.
O governo Ratinho Junior, por sua vez, sempre sustentou que a privatização era necessária para ampliar a capacidade de investimentos da companhia e garantir sua competitividade no setor elétrico.

