A grande verdade é que, sem Olavo de Carvalho para liderar a frente ideológica e sem Jair Bolsonaro para liderar a frente política, a direita brasileira virou uma pipa flutuando no meio de um vulcão em erupção.
Desde a partida de Olavo de Carvalho, ideologicamente a direita começou a ruir. Muitos dos seus alunos, que cresceram surfando na onda construída por Olavo e Jair Bolsonaro, ainda durante o governo Bolsonaro começaram a mudar seus discursos e atacar justamente o homem que estava praticamente sozinho enfrentando um sistema que muitos consideram perverso e distante do povo.
Para muitos conservadores, Jair Bolsonaro representava a última grande barreira entre a população e um sistema político visto como inchado, burocrático e voltado aos interesses do Estado, e não do cidadão comum.
Após a morte de Olavo, diversos nomes com grande visibilidade nas redes sociais passaram a seguir seus próprios caminhos. Sem a presença firme do filósofo para confrontá-los publicamente, muitos começaram a disputar espaço, protagonismo e influência dentro da própria direita. E, no meio dessa disputa, a imagem de Bolsonaro passou a ser desgastada internamente.
Com a ausência de Olavo de Carvalho, a direita perdeu sua principal referência intelectual. Cada um passou a acreditar que poderia ocupar naturalmente o espaço deixado por ele. A consequência foi uma fragmentação visível: excesso de ego, disputas pessoais e um distanciamento cada vez maior da realidade enfrentada pela população.
No campo político, algo semelhante aconteceu com Jair Bolsonaro. Sem sua presença constante na linha de frente, surgiram inúmeras pessoas tentando falar em nome dele ou “herdar” automaticamente o carinho e a admiração que ele conquistou junto ao povo brasileiro.
Mas respeito popular não se herda. Se conquista.
Em muitos setores do bolsonarismo atual, a política acabou sendo reduzida a uma disputa de quem demonstra mais fidelidade nas redes sociais. Projetos reais, propostas concretas e soluções para os problemas do povo passaram a perder espaço para a militância digital e o puxa-saquismo.
Enquanto milhões de brasileiros ainda convivem com problemas básicos, como falta de saneamento, água potável, segurança e saúde digna, boa parte da discussão política se resume a quem postou mais fotos, vídeos ou elogios nas redes sociais.
Quem resolve problemas reais muitas vezes é ignorado. Já quem apenas faz panfletagem digital acaba sendo tratado como exemplo de lealdade.
O próprio ambiente criado dentro da direita passou a consumir figuras importantes do movimento. Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente e uma das pessoas que mais esteve ao lado dele nos momentos difíceis, já foi alvo de pressão da própria militância inúmeras vezes, ao ponto de Jair Bolsonaro precisar publicar cartas públicas em sua defesa.
O deputado Nikolas Ferreira também já foi chamado de “traidor” simplesmente por curtir uma publicação diferente do esperado por parte da militância.
A ausência de lideranças fortes abriu espaço para disputas internas, vaidades e radicalizações dentro do próprio campo conservador.
Sem Olavo e sem Bolsonaro atuando diretamente como referências centrais, a direita brasileira hoje parece perdida entre influenciadores, disputas de ego e uma militância cada vez mais distante dos problemas reais da população.
E talvez esse seja justamente o maior desafio da direita daqui para frente: reencontrar uma liderança genuína, conectada com o povo e capaz de unir novamente um movimento que hoje parece dividido entre vaidade, disputa por atenção e guerra de narrativas.

