Contrato de R$ 583,8 mil entre Governo do Paraná e Instituto IRG gera questionamentos na Assembleia Legislativa
Deputados cobram explicações sobre contratação do instituto após divulgação de pesquisa eleitoral sobre a sucessão estadual
CURITIBA – Um contrato firmado entre o Governo do Paraná e o Instituto IRG tornou-se alvo de questionamentos na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (15). O assunto foi levado à tribuna pelo deputado estadual Paulo Gomes, que relacionou a contratação do instituto à divulgação recente de uma pesquisa eleitoral sobre a disputa pelo Governo do Estado.
Durante o pronunciamento, Paulo Gomes afirmou que o Instituto IRG assinou, em 12 de junho, um contrato no valor de R$ 583,8 mil com o Estado do Paraná, por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Segundo o parlamentar, o contrato, registrado sob o protocolo nº 25.995.109-7, possui vigência de 150 dias úteis.
A crítica do deputado ocorreu após a divulgação de uma pesquisa eleitoral do IRG que apontou o senador Sergio Moro com 38,2% das intenções de voto em um dos cenários analisados. Gomes comparou o resultado com levantamentos divulgados anteriormente por outros institutos, como Veritá e Paraná Pesquisas, que registraram percentuais mais elevados para Moro.
Na avaliação do parlamentar, a pesquisa teria apresentado um cenário mais favorável ao candidato associado ao grupo político do governo estadual. Apesar das críticas, Paulo Gomes ressaltou que não estava fazendo uma acusação de corrupção, mas cobrando esclarecimentos sobre a contratação e sua coincidência temporal com a divulgação do levantamento eleitoral.
“Eu não estou denunciando corrupção. Estou denunciando o ato de amor firmado exatamente no dia 12 de junho”, afirmou, em referência ao Dia dos Namorados.
Parlamentares pedem esclarecimentos
Durante o debate, o deputado Requião Filho manifestou preocupação com os critérios utilizados para a contratação do instituto. Segundo ele, a escolha do IRG precisa ser esclarecida, especialmente em relação aos procedimentos adotados pelo Estado para a seleção da empresa.
O deputado Delegado Jacovós também participou da discussão e afirmou que pesquisas eleitorais exercem influência significativa sobre a opinião pública, motivo pelo qual a transparência sobre sua realização e divulgação é fundamental.
Já o deputado Tito Barichello defendeu que o caso seja acompanhado pela Assembleia Legislativa e que os órgãos responsáveis apresentem explicações formais sobre a contratação e seu objeto.
Perguntas sem resposta
Entre os questionamentos levantados pelos parlamentares estão a confirmação dos detalhes do contrato, os critérios adotados para a escolha do Instituto IRG, a existência de eventual sistema de rodízio entre empresas contratadas e a natureza exata dos serviços previstos no acordo firmado com o Ipardes.
Também foi levantada a necessidade de esclarecimentos sobre eventual relação entre o objeto contratado e pesquisas de opinião pública, bem como sobre a metodologia utilizada no levantamento eleitoral divulgado pelo instituto.
Até o momento, não foram apresentados documentos ou provas que demonstrem qualquer irregularidade na contratação ou na realização da pesquisa. Os questionamentos apresentados pelos deputados concentram-se na busca por transparência e esclarecimentos sobre os procedimentos adotados.
Outro lado
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do Governo do Paraná, do Ipardes e do Instituto IRG sobre os questionamentos apresentados na Assembleia Legislativa. Eventuais posicionamentos serão incorporados a esta matéria assim que encaminhados à redação.

